Dúvidas Frequentes

1. Crianças autistas podem viver comumente?

Sim. A convivência dependerá do nível de autismo e das desordens sensoriais  que a pessoa possui, mas nada impedirá a interação dela com o mundo. Por exemplo,  crianças com autismo leve  devem encontrar menos dificuldades em socialização, porém isso não significa que crianças autistas com grau mais elevado não consigam conviver com os demais. Para tal, existem tratamentos que ajudam e treinam a socialização. Alguns cuidados necessários, principalmente com os pequenos, devem ser em relação aos lugares que eles frequentam. Ambientes muito barulhentos podem intensificar alguns sintomas de crianças com autismo, tornando um passeio divertido em algo desconfortável. Sendo assim, locais com grande concentração de pessoas, como shoppings, reúnem diversos estímulos sensoriais (sons, cheiros, chores, etc) e dificultam a capacidade da criança autista de processar tudo isso.

2. Como os pais podem ajudar no desenvolvimento da criança com autismo?

A aproximação dos pais é essencial para o pleno crescimento dos filhos autistas. Porém, cuidado, pois uma postura superprotetora pode acabar tendo o efeito contrário do desejado. Dessa forma, os pais podem adotar uma postura de afeto e que estimule os sentidos com atividades para crianças autistas, que seguem as orientações terapêuticas indicadas pelo especialista conduzindo o tratamento. Uma forma de aproximação é através de jogos para crianças autistas. Assim, é possível encorajar elas a enfrentar desafios e superá-los como qualquer criança. Esse tempo também é importante, pois reforça o laço entre pais e filhos e desenvolve a capacidade de socialização dos pequenos. Procurar, também, por brinquedos para crianças autistas ajuda no desenvolvimento delas. Eles são pensados especialmente para estimular os sentidos e só demandam criatividade. Vários dos brinquedos para crianças com autismo podem ser feitos em casa.

3. Como é o relacionamento de uma criança autista com os pais? E com as outras pessoas?

Como lidar com uma criança autista é importante. Apesar de certa dificuldade em demonstrar afeto, os pequenos são capazes de demonstrar amor e carinho pelos pais. Eles somente demonstram de forma diferente. Então, fique atento as características das crianças autistas, pois, muitas vezes, esse afeto aparece de forma sutil e peculiar. Em relação as outras pessoas, a aproximação pode ser um pouco mais difícil. Um beijo ou um abraço pode parecer demais para eles, assim, o importante é não forçar nenhuma situação que esteja causando constrangimento aos filhos autistas.

4. A criança com autismo pode frequentar a escola normalmente?

Sim. Crianças com TEA  podem frequentar aulas sem nenhuma restrição por parte das escolas. Aliás, nenhuma instituição de ensino pode recusar a matrícula de nenhuma pessoa com base em diagnóstico médico. A escola precisa saber como é uma criança autista  e oferecer apoio. Então, ao escolher onde o seu filho estudará é importante verificar a escola e  como trabalha com crianças autistas. O aprendizado deles é diferente conforme os níveis de autismo. Assim, crianças com autismo leve poderão acompanhar as aulas sem problemas, mas pessoas de níveis mais agudos podem precisar de modificações curriculares pela dificuldade de assimilar certos conteúdos. O mais importante, dessa forma, é compreender as  características de uma criança com TEA e as necessidades delas. A etapa de escolarização é uma das mais importantes na vida dos pequenos. Então, é necessário se certificar o lugar que seus filhos irão estudar, pois os educadores do local precisam saber como lidar com criança autista.

5. É indicada a terapia para as crianças autistas e a família?

Sim. Quando o tratamento é realizado desde o início do diagnóstico os sintomas podem diminuir. Além disso, ajuda o paciente a ter um melhor desenvolvimento e aprendizado, o que aumenta a qualidade de vida dos filhos autistas. O tratamento varia de acordo com nível de autismo em crianças, podendo até serem indicados medicamentos antipsicóticos para ajudar no acompanhamento, porém estes somente podem ser prescritos por especialista. Psiquiatras, pediatras, fonoaudiólogos, neurologistas e terapeutas estão aptos para conduzir o processo. O acompanhamento psicológico também é muito importante para a família. O tratamento irá ajudar com que os pais entendam melhor as condições dos filhos autistas para que possam fornecer maior apoio para as necessidades deles. Além disso, a participação ajuda a lidar e compreender as dificuldades que surgem durante todo o processo e dão um suporte emocional necessário.

6. Como é feito o tratamento correto para o espectro do autismo?

Cabe à família e ao médico, juntos, garantir que a criança diagnosticada com Transtorno do Espectro do Autismo e encaminhada para o tratamento por estimulação precoce com equipe interdisciplinar pela ciência ABA receba realmente o tratamento correto. Somente isso garantirá a mudança do curso do desenvolvimento atípico da criança.  Para que as famílias acompanhem o tratamento de seus filhos e exijam da equipe multiprofissional que o tratamento correto seja aplicado na criança, vamos entender como funciona o tratamento e qual o envolvimento a família precisa ter. Primeiramente, plano de tratamento por estimulação precoce para o espectro do autismo necessita, no mínimo, de três especialidades, sendo a psicologia aplicada na ciência ABA, Denver ou Teacch a fonoaudiologia, especializados em Pecs e/ou Prompt e a terapia ocupacional no método de integração sensorial de Jean Ayres. Eventualmente a criança pode necessitar de fisioterapia, psicomoricidade, psicopedagogia, musicoterapia, ou outra especialidade, dependendo das necessidades individuais de cada um, o que deverá ser justificado no pedido médico do plano terapêutico. Ofertas de tratamentos com estimulação precoce que não seguem este modelo interdisciplinar são vistos e praticados no Brasil, mas ainda não possuem evidência clínica de que contemplam todas as necessidades do autismo, mostrando-se inferiores ao modelo interdisciplinar de equipe composta por ao menos psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional especializados em ABA.

7. O que é a terapia ABA?

ABA é abreviatura de Applied  Behavior Analysis (Análise Aplicada do Comportamento), que é uma abordagem terapêutica reconhecida e recomendada por organizações e instituições como a Association for the Science of Autism Treatment of the United States, o National Autism Center, Association of Professional Behavior Analysts (CA) (Sella & Ribeiro, 2018) e Behavior Analyst Certification Board (Conselho de Certificação em Análise do Comportamento – BACB), além da Comissão Nacional de Incorporação da Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) do Ministério da Saúde (MS) que aprovou o protocolo clínico baseado no ABA para tratamento do TEA. A Resolução Normativa 469/2021 da ANS amplia o tratamento, assegurando que sejam autorizadas as abordagens prescritas pelo médico assistente em todo o território nacional.

8. Como avaliar se o meu filho está progredindo nas terapias?

Esta é uma pergunta frequente por se tratar de uma preocupação constante para as famílias de crianças com atrasos no desenvolvimento. O tratamento é estruturado, ou seja, sabemos exatamente quais são os prejuízos daquela criança naquele momento e como devemos intervir para que ele atinja seu potencial máximo, elaborando o plano terapêutico e treinando o comportamento para minimizar os déficits funcionais. Já conversamos que as crianças deverão ser continuamente acompanhadas pelos profissionais especialistas nas abordagens que mostram eficácia no tratamento do TEA, como o ABA, e serem submetidas a avaliações quantitativas ou escalas de habilidades sociais. Assim, poderá observar, objetivamente, a evolução da criança comparando-a com ela mesma, antes, durante e depois do tratamento. Dessa forma saberemos se o tratamento está certo ou se ainda há barreiras comportamentais a serem extintas, para que a criança progrida no seu desenvolvimento. Os terapeutas, especialmente o psicólogo(a) supervisor(a), deverão apresentar estes resultados periodicamente às famílias. Não há uma data definida, mas estima-se que seja de 3 a 6 meses, no mínimo.

9. O que é ecolalia?

É a repetição de palavras ou frases escutadas anteriormente, nem sempre com uma intenção de se comunicar com o outro. Existem três tipos de ecolalia: a imediata, a tardia e a mitigada.

10. O TEA pode ser de fundo emocional?

Não. O Transtorno do Espectro Autista é resultado de alterações físicas e funcionais do cérebro, sem qualquer relação com traumas de ordem psicológica.

11. Qual é a limitação de aprendizagem de uma criança com TEA?

Cada caso é um caso. Algumas crianças têm déficit de aprendizagem, enquanto outras não. No entanto, o Transtorno do Espectro Autista não é degenerativo, sendo comum que a aprendizagem continue ao longo da vida.

12. O que é terapia ocupacional para autismo?

A terapia ocupacional auxilia a criança a desenvolver habilidades motoras finas e grossas, coordenação e independência em atividades do dia a dia.

13. O que é a sensibilidade sensorial no TEA?

Sensibilidade sensorial é a resposta acentuada a estímulos como luz, som ou texturas. No TEA, algumas crianças podem reagir intensamente a certos estímulos, sentindo desconforto ou evitando situações. A terapia de integração sensorial ajuda a criança a gerenciar essas respostas, promovendo uma maior adaptação ao ambiente.

14. O que é comportamento autolesivo e como tratá-lo?

O comportamento autolesivo inclui ações como bater a cabeça ou morder-se, observadas em algumas crianças com TEA. Esse comportamento pode surgir como uma forma de aliviar desconfortos sensoriais ou emocionais. A intervenção ABA e outras terapias comportamentais trabalham para reduzir esse comportamento e ensinar formas de expressão e regulação alternativas.

15. O que é rigidez cognitiva em pessoas com autismo?

A rigidez cognitiva é a dificuldade em adaptar-se a mudanças de rotina ou de pensamento. No autismo, essa característica pode se manifestar em preferências por regras fixas e comportamentos repetitivos. A terapia comportamental e ocupacional oferece estratégias para ajudar a criança a lidar melhor com mudanças e desenvolver flexibilidade cognitiva.

16. Todas as pessoas com autismo têm deficiência intelectual?

Acredita-se que cerca de 30 a 40% dos casos têm algum grau de deficiência intelectual. Nós encontraremos indivíduos com inteligência média e alguns muito inteligentes.